SXSW

Let’s Keep Austin Weird

Não posso deixar de falar, e por favor não me entendam mal, mas senti falta de mais diversidade no SXSW

Fátima Pissarra

CEO da Mynd e Billboard Brasil 17 de março de 2017 - 15h16

E aí qual foi a grande inovação que você conheceu? Qual o aplicativo vai bombar nesse ano? Qual será a próxima tendência no mundo da música? Como foi esse tal SXSW, conta, conta. O festival Interactive nem bem terminou por aqui em Austin (agora o festival de música é que vai predominar até o final da semana) e já imagino quantas perguntas terei de responder de volta ao Brasil.

O SXSW cria muitas expectativas sempre, é a marca deles. No meu último dia é difícil fazer um balanço ou ter bem claramente o que essa semana representou. Com o mix incrível de temas que há por aqui, também me sinto com diferentes sentimentos nessa estreia no South by Southwest.

Não é minha primeira vez em festivais internacionais, frequento Cannes, e por isso mesmo é um pouco inevitável não comparar. É claro que são perspectivas diferentes, Cannes premia os que foram os melhores no ano que passou e no SXSW você conhece o que pode vir a ser hit no futuro.

No entanto… Não posso deixar de falar, e por favor não me entendam mal, mas senti falta de mais diversidade no SXSW. Como assim? Mais diversidade? Com mais de 3 mil palestras, painéis e encontros? Não nesse sentido. Mais diversidade de visões de mundo, mais nacionalidades, mais cases de diferentes países.

O festival faz propaganda dizendo que reúne palestrantes de todo o mundo. Mas a sensação que eu tive é que dentro do universo do SXSW havia poucas vozes de outros continentes.

Fui dar uma pesquisada usando para isso uma ferramenta do próprio festival, o “panel picker”, um mecanismo de busca que te ajuda a encontrar discussões sobre o tema que te interessa. De um lista com 3.506 opções entre painéis e palestras de uma ou duas pessoas, a palavra “Brazil” apresentou 32 resultados. Japão teve só 8 resultados, Korea ficou com 5, assim como Alemanha. China encontrou 18 resultados. A Grã Bretanha, UK, primeira delegação com mais representantes por aqui retornou 34 resultados.

É claro que teriam muito mais americanos em seu próprio país, mas com isso senti que muito do que foi falado, pelo menos na minha área, foi um pouco de mais do mesmo. Conheço cases de outros países e pessoas que poderiam ter enriquecido muito os painéis por aqui.

Sem querer puxar sardinha para a criatividade e inovação tupiniquim, mas se somos a segunda maior delegação a vir a Austin, poderíamos passar de participantes para palestrantes também. Temos vários cases interessantes e profissionais tão qualificados e criativos que dariam um banho em algumas palestras que assisti.

Então já me decidi. Quando me perguntarem sobre o SXSW vou cutucar e lançar o desafio. “Vamos para lá para dar algumas palestras?”

Austin tem um lema de que se orgulham: “Keep Austin Weird”. Acho que podemos ajudar a manter esse lema da cidade trazendo mais diversidade para o SXSW, uma diversidade que não fica só no discurso, mas também nas visões e experiências de economia criativa. Para que Austin possa manter sua esquisitice é preciso um pouco mais de tempero nas discussões, let’s keep Austin weird.

Este é infelizmente o meu último artista aqui neste especial, e com a mente e a alma borbulhantes volto para meu dia a dia com o objetivo de mudar, criar, inovar, e fazer sentido para no ano que vem sentir mais e mais parte dessa grande história.