Fintech’s future: banking and beyond
O ponto é que: fala-se muito de fintech, mas elas estão longe de gerar uma grande disrupção na indústria
O SXSW desta vez não começou bem pra mim. Filas em todo lugar, como sempre. Por essa razão, não consegui entrar em três sessões nas quais cheguei com 20 minutos de antecedência. Pelos títulos dá para se ter uma idéia de quais são os tópicos mais quentes este ano: “Design in Tech Report”, “Next Generation Marketing with Neuroscience” e “Mobile Apps in the Age of Cognitive Computing”. Falando em Cognitive Computing, a piada que já circula é que a resposta para qualquer pergunta aqui é “Inteligência Artificial”.
Mas chega de choradeira. Finalmente consegui entrar numa sessão que me interessava: “The Future of Fintech”. Painel composto por um investidor em fintech, uma empreendedora que se autointitula “Fintech serial junkie”, um diretor de corporate venture de um grande banco e um moderador da Finovate. E, sim, um pouco de controvérsia!
Os dados são incríveis: em 2016 foram investidos $30 bi em fintech (em mais de 1.500 operações), dos quais 60% foram direcionados para investimentos fora dos EUA – há dois anos atrás eram apenas 24%. Como se pode ver, na média, são operações relativamente pequenas, mas são muitas empresas surgindo. Segundo os painelistas, não podemos esperar muitos ‘unicórnios’ vindo deste setor – na verdade, cada uma destas empresas atua num nicho muito específico do segmento de serviços financeiros, gerando um retorno promissor mas sem grandes chances de se tornar uma grande gigante do mercado. No Brasil, podemos facilmente ver também essa fragmentação. E o que instituições financeiras mais tradicionais precisam fazer? Ou “parceirizar”, ou se tornar uma fintech e construir a experiência para o cliente – afinal, clientes vêm pela experiência. Common sense, porém mais fácil dizer do que fazer. Sobre “tornar-se” uma fintech, a referência é o Capital One que se vê como uma empresa de tecnologia prestando serviços financeiros, e não o contrário.
Um dos painelistas, o investidor, perguntou à plateia: “quem está frustrado com quase zero de rendimento nas suas contas bancárias?” E todos levantaram a mão (lembre-se: isso é nos EUA). Na sequência, fez uma nova pergunta: “e quantos têm uma conta no LendingTree”? Cerca de 1-2% da plateia levantou a mão. O ponto é que: fala-se muito de fintech, mas elas estão longe de gerar uma grande disrupção na indústria. Para ele, o grande desafio é integrar esses diversos nichos e silos que estão sendo ocupados por cada uma destas startups em fintech. Disse ainda que falta um “Uber” em fintech – uma empresa que consiga atrair bilhões em investimento, atingir centenas de milhões de consumidores e alcançar Market Cap na ordem dos bilhões. E aí veio a polêmica: “Thank God, we don’t have it!” disse o outro painelista, “o risco sistêmico seria enorme” (como se não fosse com os grandes bancos, um dos quais ele mesmo representa). Mas o comentário faz muito sentido.
Continuando e seguindo outra linha de raciocínio, a indústria de serviços financeiros emprega 8.4 milhões de pessoas nos EUA. O investidor, painelista, também entende que esse número irá diminuir bastante nos próximos anos devido ao uso de tecnologia, a desintermediação e desmonetização das transações.
E qual é o futuro dos bancos? Guardiões da nossa identidade e integridade de nossos ativos, mesmo que eles estejam em outros cofres.