Conexão e empatia
Foi justo esta palestra que fez cair a ficha sobre o que eu gostaria de escrever nesse artigo.

Mesmo depois de cinco dias de SXSW, mais de vinte palestras, um world premier (filme “Atomic Blonde” – incrível!, por sinal, vale super assistir quando estrear no Brasil), dois shows e algumas Lone Stars, eu ainda não sabia sobre o que eu queria escrever aqui para vocês.
Sim, porque a programação e o conteúdo dos keynotes já estavam real time na web para quem quisesse ver. Então, achei que não contribuiria em nada ficar aqui dizendo que fui na palestra “X”, “Y”, “Z”. Isso, vocês podem ver e opinar por vocês mesmos. 😉
Então, para tentar resolver esse impasse, –e sendo essa pessoa adulta e responsável que eu sou–, ontem, escolhi assistir a palestra mais improvável de me ajudar em qualquer coisa nesta vida. O nome da palestra: Weird Startups of the University of Tokyo.
E aí… Ah gente…são nesses momentos que vemos a beleza da vida: foi justo esta palestra que fez cair a ficha sobre o que eu gostaria de escrever nesse artigo.
A palestra era sobre alguns dos alunos da Universidade de Tóquio que vieram para o SxSW mostrar seus projetos no Exibition Center. Depois de muitos slides cheios de números e tabelas alucinógenas (veja a foto: se você achava que teu keynote tava cheio….think again), uma mocinha japonesa chamada Yuka Fukuoka apresentou seu projeto: uma espécie de head-phone que na real não vai na cabeça e sim no seu pescoço. Um aparelho que simula a gagueira em pessoas que não sofrem com esse problema. O objetivo de Yuka, que é gaga e sofreu muito bullying durante a vida, é que o aparelho seja usado em escolas onde as crianças que não sofrem do problema entendam como a vida é difícil para os 1.5 milhão de gagos japoneses. Case fofo, plateia aplaudiu de pé.
Conexão. Empatia.
É isso, no final das contas.
Se não for isso, por que um dos eventos mais hypados sobre tecnologia, tendência, música e filme conseguiria reunir fisicamente tanta gente inteligente do mundo todo no meio do Texas (EUA) durante duas semanas?
Sim, é sobre discutir data, inteligência artificial, VR, coding, neurosciência e o bonde todo; Mas, ainda assim, a gente precisa se encontrar para fazer isso. Olhar nos olhos uns dos outros, contar as nossas histórias, sermos ouvidos, ouvir e aprender assim, de perto.
Nesse mundo onde as pessoas estão cada vez menos afim de serem interrompidas para ouvir uma mensagem de um produto, somente quando as marcas buscam conexão e empatia através de narrativas bem feitas conseguem ser relevantes de verdade para as pessoas.
À medida que a discussão sobre branded entretainment e content marketing vai amadurecendo, vamos percebendo que podemos usar todo esse arsenal de tecnologia e dados para aproximar marcas das pessoas de uma forma autêntica e significativa; enxergando o mundo pelos olhos daqueles que queremos nos conectar –mesmo que a gente use um óculos de realidade virtual para isso.